segunda-feira, 12 de maio de 2014

Como educar filhos propondo o modelo de “educação na graça”

Pastor Jasiel Botelho ensina sobre educação de filhos. Ele foi um dos palestrantes do Encontro Sepal que reuniu líderes e pastores em Águas de Lindóia, interior de São Paulo.

Por: Leiliane Roberta Lopes, GospelPrime

Jasiel Botelho ensina fala sobre educação de filhos
O pastor Jasiel Botelho foi um dos preletores do 41º Encontro Sepal que aconteceu entre os dias 5 e 9 de maio em Águas de Lindóia.

O tema do evento voltado para pastores e líderes foi “Uma Igreja Chamada Família” e o pastor Botelho ministrou a palestra “Teologia da Família” falando sobre como educar filhos propondo o modelo de “educação na graça”.

“A graça é um favor imerecido, é você aceitar a pessoa como ela é. Por exemplo, você ao educar um filho, quer que ele seja à sua imagem e semelhança. Mas a graça não tem limites”, disse ele.

Pai de três filhos, o pastor reconhece que errou na educação do mais velho, e até reconhece ter negligenciado as coisas mais importantes na educação que são o amor, a consideração, o respeito e a amizade.

Além disso ele propõem que as famílias criem o hábito de falarem sobre as coisas de Deus, ensinar seus filhos sobre a Bíblia, algo que é cada vez mais raro nos dias de hoje.

Confira a entrevista completa com o pastor, que também é conhecido por pintar quadros durante o louvor:

Sobre a palestra “Teologia da Família”, como é essa nova forma de educar os filhos que você propaga?

Jasiel Botelho: A nova maneira de educar que eu proponho é “educando na graça”. A graça é um favor imerecido, é você aceitar a pessoa como ela é. Por exemplo, você ao educar um filho, quer que ele seja à sua imagem e semelhança. Mas a graça não tem limites.

Na verdade, temos que aprender a questão não só da educação pela graça, mas também viver pela graça. Quando você faz isso, vai além da lei – que, para ser cumprida, precisa ameaçar. A graça não ameaça. É difícil entendermos essa ideia, mas Cristo nos revelou ela em Jesus, através do Evangelho. Se você for pela lei e não pela graça, vai sofrer e ter muitas dificuldades.

E sobre a rigidez dos pais na criação dos filhos, qual a sua opinião sobre isso?

JB: Eu tenho um filho mais velho que não se parece nada comigo, mas sim com a mãe e eu tive uma dificuldade enorme em aceitar ele, inconscientemente eu o rejeitei. E por rejeitá-lo eu o disciplino muito mais, eu forço a barra pra que ele seja o que eu quero que seja, o que eu aprendi a ser com a minha família. Eu aprendi com os americanos que pra educar um filho, você tem que ser rígido. Mas educar na graça é diferente.

Aconteceu algum fato que fez você enxergar essa nova forma de educar os filhos? Você criou seus filhos assim?

JB: Tenho três filhos. Eu errei muito com meu primeiro filho, depois com o segundo eu fui melhor. Como eu sou uma pessoa muito aberta no temperamento, eu fico questionando tudo. Eu sou o primeiro a me criticar. Eu sempre questiono. E hoje eu estou em crise. Porque a maioria das coisas que eu ensinei e que fiz, eu considero hoje “palha”. E coisas importantes como o amor, a consideração, o respeito, a amizade, a gente negligencia.

Você acha que os cristãos estão praticando a graça nas igrejas?

JB: Você pode perceber pelas brigas entre os crentes que é terrível. O pior ódio é o ódio teológico. Você é capaz de matar uma pessoa porque ela não crê no teu Deus. Isso é um absurdo. Como não percebemos isso? Temos que ver o que Deus revelou através de seu filho e das escrituras, o novo testamento. A igreja atualmente, vive muito o Antigo Testamento, essa coisa da luta, guerra espiritual, prosperidade, quando na verdade, Jesus é da paz. Pra mim o inimigo número um hoje é a religião. A minha tentação é ser religioso, vender uma imagem de santo, de certinho. E isso não tem nada a ver com o evangelho. Eu não sei o que vai acontecer, mas eu tento fazer a minha parte. Gostaria muito de amar incondicionalmente, mas eu tenho minhas falhas como qualquer outro ser humano.

Como os casais podem ter uma vida mais saudável em Deus?

JB: Eu acho que falta um crescimento. A gente transferiu pra Igreja todo um conhecimento teológico. O povo judeu, por exemplo: eles iam para a sinagoga, mas os pais ensinavam os filhos em suas casas. Eu acredito que hoje, por conta da nossa vida pós-moderna, com muita correria, a gente não tem um momento com a família de educação teológica, falar sobre Deus. Não temos tempo nem de lazer, hoje em dia é tudo eletrônico. A educação teológica a gente transfere para o professor da escola dominical, pra igreja. Mas cada igreja tem seus vícios. Mas também, a beleza de Deus está nisso, em administrar tudo isso… A família tem que se cuidar. Os pais têm que ensinar os seus filhos. Apesar de tudo Deus nos abençoa muito.

Você pinta quadros durante o louvor. Como surgiu isso?

JB: Eu fui desenvolvendo isso. Desde pequeno eu tenho esse dom, e eu fui desenhista, trabalhei com isso. Mas em um acampamento eu vi um irmão pintando um quadro durante o louvor e eu achei aquilo maravilhoso, fiquei encantado e quis fazer também. Eu busquei, encontrei dificuldades, mas fui desenvolvendo, fui aperfeiçoando e isso se tornou um ministério. Infelizmente poucas pessoas fazem isso e a Sepal é uma vitrine, eu faço isso aqui há 20 anos. Eu sempre repito uns 10 quadros, porque eu tenho que pintar só em 20 minutos, então eu preparo o quadro antes e termino no momento do louvor. E eu sempre trago nos meus quadros a mensagem da cruz. Tem que sempre ser uma mensagem explicita. Esse ministério inclusive eu fiz ao ar livre. Eu ficava pintando e depois eu pregava pra quem estava parado olhando.

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