domingo, 18 de maio de 2014

Pastor celebrará culto transformado em drag queen

"É a Luandha que está aqui, não o Marcos, pois meu objetivo é chamar atenção contra a Homofobia. Pastor e presidente da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM) Betel, em Irajá, Marcos Lord se transformou em drag queen pela primeira vez numa parada gay, em 2011.

Por: Marina Navarro Lins, Extra

Esta noite, o culto do pastor Marcos Lord será como todos os outros. As mesmas orações, a Bíblia sobre a mesa e a sala cheia de fiéis. A única diferença é que o pastor não vai aparecer - não com as suas roupas tradicionais, pelo menos. Ele vestirá uma saia, terá cabelos louros e maquiagem colorida no rosto. Marcos será Luandha Perón.

Postor Marcos Lord em sua Igreja Foto: Freelancer / Agência O Globo


Pastor e presidente da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM) Betel, em Irajá, Marcos Lord se transformou em drag queen pela primeira vez numa parada gay, em 2011. Ao contrário do esperado, sua igreja não o condenou.

O maquiador Leandro Roffetti tranformando Marcos Lord em Luandha Perón Foto: Nina Lima / Extra- A ICM Betel é inclusiva. A nossa crença é que Deus não exclui ninguém. Criei a Luandha e fui para a parada vestido de noiva para pedir a aprovação do casamento gay. Ela já apareceu em eventos da igreja, mas é a primeira vez que ministrará um culto - disse o pastor, de 36 anos.

Nascido em uma família evangélica, em Caxias, Marcos cresceu frequentando igrejas que condenavam a homossexualidade. Reconhecia os seus desejos, mas preferia reprimi-los. Chegou a ficar noivo. Até se envolver com um “ex-gay”.

- Contei para o pastor da minha antiga igreja e ele praticamente me amaldiçoou. Fui expulso de casa. Passei anos achando que ia para o inferno até me apresentarem a Betel - contou Marcos, que também é professor de uma escola primária.

Após vencer o preconceito (“achei que iam falar que todos na bíblia eram gays”), percebeu que o culto seguia a mesma linha dos outros. A diferença estava no público e na falta de restrições. Nas paredes da igreja, cartazes defendem a união homoafetiva e o direito das mulheres de usarem o corpo como querem.

Marcos Lord transformado em Luandha Perón na ICM Betel, em Irajá Foto: Nina Lima / Extra- Só pedimos que as pessoas respeitem os princípios básicos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como se a si mesmo. Você pode beber, só não pode prejudicar o outro com isso.

A tolerância se estende às religiões. Eles não condenam as crenças africanas, nem o uso de símbolos. E se uma pessoa chegar com uma blusa de São Jorge no culto?

- Pode, de preferência com muitos paetês!

‘É um protesto político, religioso e feminista’

A Luandha é maravilhosa para mim por dois motivos. Primeiro, é um grito de protesto. Político e religioso. Tem igrejas que fecham a porta da salvação para tantas pessoas... Elas colocam as suas próprias regras como se fossem as Dele. Não é assim, Deus ama a todos. Inclusive as drag queens. Além disso, ela me fez conhecer a minha personalidade feminina. E é aí que está o perigo. As pessoas que agridem os homossexuais não atacam aqueles que não dão pinta. Eles vão atrás dos que liberam a sua feminilidade. Por isso, acredito que a homofobia está intimamente ligada à misoginia. É uma atitude bem antiga da nossa sociedade machista.

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