Edir Macedo, a "Graça" e o Verdadeiro Sacrifício nos dias de hoje.
Edir Macedo, a “Graça” e o Verdadeiro Sacrifício nos Dias de Hoje
Uma frase, muitos sentidos. Por trás da polêmica sobre “graça”, está uma questão decisiva: a fé nos aproxima do amor prático ao próximo, ou vira um caminho de acomodação e troca?
Por: Marcos Oliveira - sao163877
A frase que reacendeu o debate
Uma declaração atribuída ao líder religioso Edir Macedo voltou a circular e gerou forte discussão: a ideia de que a “graça” pregada por muitos seria uma “desgraça”. À primeira vista, a frase parece um ataque direto à Graça de Yauh. Mas, em uma leitura mais ampla, a crítica pode apontar para aquilo que ele considera uma interpretação que gera passividade espiritual, retirando dos fiéis a percepção de que “é preciso fazer algo” para receber bênçãos.
O tema ganhou ainda mais repercussão por envolver algo central à fé: o que, afinal, significa “sacrifício” nos dias de hoje?
A Cruz: o sacrifício definitivo
O entendimento do Novo Testamento é que o sacrifício de Yausha HaMashiach foi suficiente e definitivo para a remissão de pecados. Isso significa que a salvação não é um produto, nem um prêmio por desempenho. E se a Cruz cumpriu o que era necessário para o perdão, surge uma pergunta inevitável: qual é o sacrifício esperado de nós agora?
Dois perigos espirituais: a inércia e a fé transacional
A discussão costuma ser colocada como um “ou… ou”: ou a graça levaria à inércia, ou o sacrifício traria disciplina. Mas a realidade pode ser mais complexa.
Se por um lado existe o risco de alguns reduzirem tudo a “deixa acontecer”, por outro, a ênfase excessiva em sacrifícios financeiros também pode gerar um comodismo ainda mais perigoso: o comodismo de acreditar que basta “pagar” para estar em paz, para “garantir” bênçãos, ou para “comprar” um milagre.
Quando o dinheiro vira atalho, o amor fica em segundo plano
A fé se enfraquece quando se torna transação. E um dos efeitos colaterais desse modelo é o distanciamento do amor prático e cotidiano — aquele amor que socorre, cuida, consola e serve.
Em muitos casos, pessoas frequentam cultos, participam de campanhas, fazem votos e ofertas — e saem com a sensação de “missão cumprida”. Porém, não aprendem (ou não praticam) a generosidade real e o cuidado concreto com o próximo. Assim, correm o risco de se tornarem espiritualmente egocêntricas: focadas apenas na própria vitória, no próprio milagre, na própria prosperidade.
Isso também aparece quando as próprias instituições buscam voluntários para frentes assistenciais: frequentemente há resistência, porque parte dos frequentadores foi ensinada a acreditar no “poder do dinheiro” como substituto da obediência prática do amor. E, não raramente, essa busca por “resultados espirituais” pode levar famílias a tirarem do sustento do lar, assumirem compromissos insustentáveis e enfrentarem consequências que, mais tarde, se transformam em vergonha e limitações financeiras.
O sacrifício que Yausha ensinou
O sacrifício de Yausha não foi financeiro. Foi entrega, serviço, humildade e amor radical.
Ele lavou pés.
Tocou os excluídos.
Sentou-se com marginalizados.
Perdoou inimigos.
E deixou um mandamento que não depende de carteira, mas de caráter:
“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.”
Amar quando é fácil não é sacrifício. Amar quando dói — isso é. Amar quem nos feriu, amar quem nos critica, amar quem pensa diferente: esse é o altar do nosso tempo.
O verdadeiro sacrifício nos dias atuais
Se existe um “sacrifício” que alegra o Criador e revela a fé viva, ele aparece na prática do bem:
- Ser voluntário em causas sociais e frentes humanitárias
- Doar sangue e incentivar doações regulares
- Ser doador de órgãos (quando possível e consciente)
- Visitar hospitais, lares de idosos e casas de acolhimento
- Doar alimentos, roupas e cobertores a instituições sérias
- Participar de grupos de intercessão por pessoas e causas
- Oferecer apoio emocional e material a quem atravessa dor
Esses atos raramente rendem palco. Mas transformam vidas. E frequentemente produzem frutos que dinheiro nenhum compra: reconciliação, consolo, dignidade e esperança.
Reflexão final
A graça verdadeira não produz inércia. E o sacrifício verdadeiro não se limita ao dinheiro.
Bênção não se compra.
Milagre não se negocia.
O amor não se terceiriza.
Se a fé não nos torna mais humanos, mais generosos e mais parecidos com Yausha, então algo essencial foi perdido no caminho.
Referência do debate (vídeo): Assista aqui
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